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A água, que nos mantem vivos e a todo o meio ambiente, tornou-se uma das preocupações centrais dos nossos tempos e de continuar a ser nos próximos anos.

Originárias de regióes áridas, agaves e cactáceas tem seus reservatórios de água
Originárias de regiões áridas, agaves e cactáceas tem seus reservatórios de água

Uso racional da água é fundamental, mas erra quem pensa que eliminar toda e qualquer atividade que demande o uso dela – como nos jardins e parques – seja uma solução.

O motivo é lógico: dependemos justamente das áreas verdes para equilibrar o nível de umidade do ar. A evapotranspiração das plantas faz parte do ciclo natural que trará umidade do ar e as chuvas.

Além de toda aparato tecnológico disponível – como os inteligentes sistemas de irrigação e de reúso de água – utilizar o “conhecimento” das plantas para ajudar a manter ou recuperar o equilíbrio ambiental e climático é fundamental.

Como dize o ditado: é sábio aprender com quem veio antes.

E as plantas podem ser consideradas mestras na arte da resiliência pois, ao longo de séculos e milênios,  elas criaram seus próprios mecanismos de sobrevivência perante a falta ou excesso de água no meio ambiente.

Por essa razão, o uso adequado das espécies vegetais, principalmente as nativas, faz toda diferença no consumo da água de um jardim trazendo outros benefícios ecológicos e climáticos importantes.

Jasmim, muito comum em várias regiões do Brasil, é uma das espécies que não exige muita água
Jasmim manga, comum em várias regiões do Brasil, é uma das espécies que não exige muita água

Observar as características de uma planta nos dá boas pistas do que fazer.

Em seu blog paisagista Raul Cânovas, explica que os arbustos de ramos lenhosos suportam melhor a baixa umidade atmosférica, enquanto outras espécies preferem climas secos e solos arenosos. “Alamandas, angicos, espirradeiras, bracatingas, jasmins-manga, ipês-brancos, crótons, neves-da-montanha, caliandras, nolinas e ripsális são, entre muitas, plantas que não precisam de regas, suprindo suas necessidades hídricas através da umidade ambiente e do que as nuvens enviam de vez em quando”, aponta ele.

 

Jardim Secos

Um “jardim seco”, também conhecido como “xerojardim”, não é um jardim sem água e sem vida. Pelo contrário, a água,  nesses jardins, está devidamente guardada em reservatórios internos das plantas. É esse mecanismo que lhe garante a sobrevivência.

Algumas espécies que precisam de pouca água para sobreviver

Jardim Molhado

Mas há quem prefira sentir o som e o frescor da água no jardim, com a composição de lagos, cascatas ou espelhos d’água com plantas aquáticas. O efeito é realmente tranquilizador.

Mas vale a pena observar dois pontos em um jardim molhado. O  primeiro  é que as plantas aquáticas também precisam de nutrientes. Portanto, ao se usar fertilizantes deve fazê-lo adequadamente para não estimular o crescimento descontrolado de algas o que prejudicará o desenvolvimento das outras espécies. Um dos fertilizantes usados nesses casos é em cápsulas.

Outra preocupação é não permitir a proliferação de insetos indesejados, como o mosquito aedes aegypt (transmissor da dengue, chikungunia e zika).

Um recurso natural utilizado para evitar esse problema é introduzir peixes nos lagos para que consumam as larvas do mosquito. No município de Itajaí, em Santa Catarina, outra solução ecológicas que tem sido empregada é o cultivo da crotalária, uma planta que atrai a libélula, que e o predador natural do aedes aegypti.

 


Uma resposta para “Secos e Molhados: inteligência das plantas para gestão climática”.

  1. Avatar de Raul Cânovas

    Oi Dulce,
    Gostei da matéria, elegante e esclarecedora. Agradeço a citação e a referencia do meu blog.
    Beijo,

    Raul Cânovas

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