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Déficit de natureza amplia sensação de mal estar

Desde a madrugada, milhares de flores saem do Ceagesp, em São Paulo, percorrem vários bairros da cidade, para chegar em floriculturas ou faróis em um dia especial.

Mas, algumas delas flores tiveram um destino diferente, para não dizer, inusitado. Elas fizeram parte de uma experiência  em pleno transporte público em São Paulo, em  uma ação do Metrô em comemoração ao Dia das Mulheres.

Eu, como as flores, percorri caminhos e me desloquei em meio àa uma multidãopara chegar à  estação Liberdade, do Metrô, em plena hora do rush. Ufa!

O motivo da minha pressa?

Realizar uma atividade para desacelerar.

Isto mesmo: um workshop da arte  floral Ikebana , promovido  pela Associação de Ikebana do Brasil, que ocorreu dentro de uma estação de Metrô.

Apesar do nome da estação, Liberdade, local não lembrava em nada um espaço de paz e tranquilidade.

Gente andando apressada, acotovelando-se nas escadas rolantes, apitos e mensagens eletrônicas, barulho de buzinas e freadas nas ruas.

A “paisagem” do encontro também não era nada natural e zen: apenas concreto, aço e muita gente transitando para lá e para cá.

Algumas pessoas vinham interessadas nas flores sobre a mesa e eram convidadas a participar do workshop.

Emiko Ide, da Associação Brasileira de Ikebana, dando oficina na estação do Metrô Liberdade. Foto: Dulce Moraes/ComuniccaoInNatura
Emiko Ide, da Associação Brasileira de Ikebana, dando oficina na estação do Metrô Liberdade

Mas as respostas eram as mais evasivas:

“Não dá. Estou com pressa e atrasado”.

“Ah, eu acho bonito, mas não tenho paciência”.

“Não sou artista. Flor é coisa de mulher”.

Outras, demonstravam intersse :  “Bem que eu queria ter tempo para isso”, “Estou precisando mesmo relaxar”.

Em torno de dez participantes, entre homens e mulheres, a mestre Emiko Miji Ide, da escola Sogetsu, iniciou a oficina desmitindo a crença que arte floral é coisa de mulher. Segundo ela, no Japão, até o século 19, ikebana era uma arte exclusiva para homens.

Outro tabu quebrado é em relação ao fato de a conexão com a natureza ser algo acessível apenas para quem mora longe da agitação das grandes cidades.

O artista plástico Sofu fundador da escola moderna de IkebanaSoguetsu em 1927

Para Sofu Teshigahara, artista plástico fundador da escola Ikebana Sogetsu em 1927, “a verdadeira ikebana não está isolada da época ou de nossas vidas”.

Ter o contato com a natureza, seja pela prática de observação ou criação artística, é justamente o que as pessoas mais precisam para restabelecer o equilíbrio físico, mental e espiritual;

Alguns aprendizados do workshop

  • O arranjo de ikebana não é estático, pois nada no Universo é estático.
  • As formas e elementos do ikebana evocam o movimento do vento, da água da energia das cores, da infinitude de espaço e tempo.
  • Embora haja certa geometria de equilíbrio entre os elementos, a ocupação do espaço é assimétrica, pois a “perfeição” da natureza é uma forma livre em harmonia com todos os elementos. Tudo está conectado, como no Universo
  • Por ser uma arte, o arranjo de ikebana transmite o sentimento do artista. A regra da composição está no coração do artista e o arranjo é uma tradução da sua alma naquele momento.