Durante os meses iniciais da pandemia do SARS Covid-19 diversas cidades no mundo limitaram o acesso das pessoas ao espaços públicos, como parques e praças.
Embora tenham sido necessárias em um primeiro momento, tais medidas também provocaram impactos, ainda não dimensionados, à saúde da população.
Isso porque já se sabe que os parques e áreas verdes das cidades oferecem inúmeros benefícios para a qualidade de vida da população, já que propiciam práticas esportivas, convivênvia social e experiências biofílicas.
O distanciamento social pode, por outro lado, nos levar a repensar as formas de usufruir, significar, ocupar e preservar esses espaços públicos no pós-Pandemia.
Outro fato extremamente grave ocorreu em plena pandemia, no mês de agosto de 2020,: uma devastadora explosão na região portuária da cidade de Beirute, no Líbano.
As imagens da tragédia, transmitidas pela TV , causaram forte impacto nas pessoas do mundo inteiro, adicionando mais tristeza ao ambiente de angústia por conta das muitas vidas perdidas pela pandemia.

Em poucos minutos, a bonita paisagem da área portuária de Beirute, simplesmente desaparece e nos traz a memória de outra tragédia, ocorrida há 75 anos atrás, nas cidades de Hiroshima e Nagasaki.
Separadas por um intervalo de mais de sete décadas, essas tragédias nos conduzem a um dilema essencial: o quanto a sociedade, neste século XXI, dá valor à vida?
A teoria da Biofilia que trata da nossa afinidade e conexão com a vida natural, e que é aplicável ao design e planejamento urbano, nos aponta ao caminho de ressignificar paisagens, nos dando senso de lugar e resgatando o valor da vida.
As várias formas de experiência biofilica em parques e praças?
Além do ponto de vista climático, ecológico e de saúde pública, parques e praças podem oferecer diversos aprendizados a população, desde os benefícios de uma vida mais conectada com a natureza até as expressões culturais e de cidadania.
Durante minha visita ao Japão, em 2014, pude conhecer parques e praças utilizados para conscientizar, educar e, principalmente, trazer esperança às pessoas.
Isso pode ser possivel, talvez, pela tradição cultural de respeito à natureza que se verifica no simbolismo dos jardins, nas cerimônias religiosas e até a veneração ao Monte Fuji. Mas, também pelo hábito da sociedade sociedade japonesa mira o futuro, sem esquecer o passado.
Tributo às vítimas
Na cidade de Hiroshima uma praça é um verdadeiro memorial a céu aberto, que sensibiliza seus visitantes sobre o poder destrutivo das armas nucleares. Lá estão preservadas as ruínas do Genbaku, edifício projetado em 1919, que hoje é chamado de Cúpula da Bomba Atômica, além de vários monumentos em memória as vítimas, como o Sino da Paz e a Chama da paz, que fica acesa continuamente. Em um morrote gramado, sobre o qual estão depositados cinzas de vítimas da tragédia, são depositadas flores em homenagem aos falecidos.

Há também a escultura da menina transformada em pássaro. A menina Sadako foi uma das milhares de vítimas da bomba atômica. Quando estava hospitalizada, a adolescente decidiu confeccionar mil tsurus, dobradura de papel em forma de pássaro. Sadako veio a falecer, em 1955, tendo completado a feitura de 646 tsurus, no entanto. Seus colegas da escola se uniram para realizar seu desejo e completaram os mil pássaros. Essa história esta personifica na escultura como símbolo de esperança.
Na cidade vizinha, Nagasaki, a Praça da Paz possui esculturas enviadas por vários países, simbolizando o desejo de todos pela paz. Além de pontos turísticos, esses espaços públicos proporcionam aprendizado social.






Em cidades como São Paulo e Manaus plantios de árvores foram feitos em Memoriais das Vítimas da Covid-19 .
A pandemia da Covid 19 pode deixar como legado a busca por novas formas de usufruir, planejar, ocupar e preservar esses espaços públicos, de maneira que eles reflitam sociedade que se quer ter.
Já é sabido por vários estudos que a experiência de estar em contato com elementos da natureza traz inúmeros benefícios à saúde física e mental. Nesse sentido, a biofilia nos espaços públicos verdes, podem contribuir para maior aprendizado social, provocando afetividade e envolvimento das pessoas com esses locais e com sua história.
